O empreendedorismo no Brasil segue crescendo em ritmo acelerado. Basta observar ao redor para perceber um país repleto de pessoas empreendedoras. O vizinho que formalizou a venda de marmitas, a prima que abriu um salão em casa, a pessoa entregadora que hoje fatura como microempreendedora individual. A sensação de que praticamente todo mundo está tentando abrir o próprio negócio não é apenas uma impressão.
O Brasil registrou 1,4 milhão de novos pequenos negócios no primeiro trimestre de 2025, um recorde para o período, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.
Parte desse movimento está relacionada às transformações do mercado de trabalho formal. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, o FGV IBRE, mostra que a principal motivação de quem abre um negócio no Brasil é o desejo de independência, citado por 22,2% das pessoas entrevistadas. Em seguida, aparecem a necessidade de complementar a renda, com 18,3%, e o desemprego, com 17,5%.
O número de microempreendedores individuais formalizados cresceu 35%. Enquanto as micro e pequenas empresas avançaram 28% na comparação entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024. Somente em março, foram abertos cerca de 568 mil CNPJs, levando o acumulado do trimestre a 1,4 milhão de novos pequenos negócios. Desse total, 78% eram microempreendedores individuais.
Crescimento também aparece fora das grandes capitais
E pode ser surpreendente, mas felizmente, o crescimento do empreendedorismo no Brasil não está restrito às grandes capitais. Esse movimento também aparece fora do Sudeste, região que tradicionalmente concentra a maior parte dos negócios do país. Ceará, Piauí e Amazonas tiveram os maiores crescimentos proporcionais na abertura de pequenos negócios no primeiro trimestre de 2025, com altas de 56,8%, 55,3% e 51,3%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2024.
Os dados mostram que o potencial empreendedor de regiões que, historicamente, tiveram menos acesso a crédito, formação e redes de apoio para empreender de maneira estruturada, está sendo reconhecido e recebendo investimentos.
Programas como o Startup Nordeste mostram o que pode acontecer quando esse potencial encontra suporte. A iniciativa é do Sebrae, executada pela Semente em diversas edições de diferentes estados. O programa apoia negócios inovadores por meio de capacitações, mentorias, conexões e recursos para o desenvolvimento das soluções. Além de fortalecer startups locais, programas como esse ajudam a ampliar o acesso a oportunidades e a construir ecossistemas de inovação conectados às realidades de cada território.
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Estar bem no ranking não é o mesmo que sobreviver
O Brasil passou da 8ª para a 6ª posição mundial na Taxa de Empreendedores Estabelecidos, segundo o Global Entrepreneurship Monitor, o GEM 2024. A colocação fica à frente de países como Reino Unido, Itália e Estados Unidos.
O indicador não mede a quantidade de empresas abertas recentemente. Ele considera empreendimentos existentes há mais de três anos e meio, ou seja, quem conseguiu atravessar uma das fases mais vulneráveis de um negócio.
E existe uma diferença importante entre dois momentos chave da jornada empreendedora: abrir uma empresa e fazê-la durar.
Apesar da posição de destaque no empreendedorismo estabelecido, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para garantir a sobrevivência dos pequenos negócios. Uma pesquisa do Sebrae sobre empresas constituídas em 2018 mostra que a mortalidade varia conforme o porte e a estrutura do empreendimento. Quanto menor e menos estruturado o negócio, maior tende a ser o risco de encerramento.
Planejamento aumenta as chances de permanência
Os microempreendedores individuais, justamente a categoria que impulsionou o recorde de aberturas em 2025, apresentaram a maior taxa de mortalidade: 29% encerraram as atividades em até cinco anos. Entre as microempresas, o percentual foi de 21,6%. Nas empresas de pequeno porte, que geralmente contam com estrutura, capital de giro e gestão mais consolidados, a taxa caiu para 17%.
Olhando para os números, fica claro que planejamento, estrutura e capacidade de gestão aumentam as chances de sobrevivência de uma empresa.
Um erro comum é associar o fechamento de pequenos negócios apenas à falta de capital ou a fatores econômicos externos, como crises, concorrência ou queda no consumo. Embora, esses elementos tenham peso, não explicam tudo.
Segundo o Sebrae, as empresas que permaneceram ativas foram planejadas, em média, durante três meses a mais do que aquelas que encerraram as atividades. O tempo médio de preparação foi de 11 meses entre os negócios ativos e de oito meses entre os que fecharam.
Na prática, o tempo dedicado a compreender o mercado, conhecer o público, analisar a concorrência, organizar os fornecedores e estruturar o fluxo de caixa pode fazer diferença entre um negócio que consegue se consolidar e outro que fecha nos primeiros anos.
A diferença de empreender com acesso a uma rede
Abrir um negócio muitas vezes é uma resposta direta à falta de emprego formal. Isso não significa que empreender por necessidade seja resultado de descuido ou falta de planejamento. Essa é a realidade de uma parcela significativa do empreendedorismo brasileiro, especialmente nos territórios periféricos, onde muitas pessoas precisam começar a vender antes mesmo de ter acesso a crédito, formação ou orientação especializada.
Essas pessoas precisam de suporte, oportunidades e redes de apoio capazes de acompanhar os diferentes momentos de seus negócios.
A capacitação, a mentoria e o acompanhamento em gestão ajudam a tomar decisões mais conscientes e a atravessar os primeiros anos, período especialmente vulnerável para qualquer empresa. Formação e rede de apoio não substituem o capital, mas ajudam a utilizá-lo melhor, reduzir erros e construir caminhos de crescimento mais consistentes.
O Brasil já provou que sabe empreender. O próximo passo é criar condições para que esses negócios permaneçam ativos, cresçam de maneira sustentável e gerem renda e oportunidades nos territórios em que atuam.
Como a Semente fortalece negócios no Brasil
A Semente apoia pessoas empreendedoras de diferentes regiões do país por meio de programas de formação, aceleração, conexão e acesso a oportunidades. Nossas iniciativas partem de contextos distintos, mas compartilham o mesmo objetivo: fortalecer negócios para que desenvolvam sua gestão, ampliem seu impacto, construam trajetórias duradouras e gerem valor.
Ao longo de 15 anos, a Semente já realizou mais de 460 projetos e apoiou mais de 10 mil negócios em todo o Brasil. Juntos, os negócios atendidos captaram mais de R$ 1 bilhão, resultado de um trabalho que combina conhecimento, acompanhamento e conexões para transformar potencial empreendedor em crescimento consistente.
Conheça em detalhe o que foi construído pela Semente em 2025 através da 4ª Publicação de Impacto.
Quando uma pessoa empreendedora encontra uma rede com quem trocar e melhores condições para tomar decisões, o negócio deixa de depender apenas do esforço individual. Ele amplia suas possibilidades de enfrentar desafios, acessar mercados e gerar transformações positivas ao redor.
Se você empreende, investe ou acredita que negócios estruturados podem transformar territórios, conheça os programas da Semente Negócios e faça parte dessa mudança.
Continue a leitura: [Negócios de impacto: economia com propósito e sustentabilidade]


